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Como tratar uma dor crónica? A fisioterapia responde

Atualizado: 11 de mai. de 2022



Dor crónica, o que é?

A complexidade de percepcionar aquilo que é, efetivamente, está no facto de a realidade em que vivemos ser em si uma ilusão. A realidade pode ser definida como um conjunto de campos eletromagnéticos onde partículas “chocam” com outras partículas e se cria energia. Então, se a realidade é isto, porque é que o nosso cérebro a transforma em algo virtual? Porque é que vivemos numa ilusão que temos tanto a certeza que é real? Porque é que funcionamos desta maneira?


O ser humano é altamente complexo e especializado. Considerado um sistema aberto que se influencia pelo meio externo onde se insere e se rege pelas suas crenças e valores, pensamentos e ideias, é um sistema que tenta arranjar sentido e respostas para tudo aquilo que lhe acontece, para tudo aquilo que vivência. Esta procura constante e intensa por respostas pode, por vezes, ser muito limitante para a nossa vida. A dor crónica é um exemplo disto. Sempre que sentimos dor existe a necessidade de a associar a uma lesão, a um diagnóstico. Esta necessidade de criar uma causa-efeito é transversal a todos nós. Contudo, muitas vezes, não é aqui que encontramos a resposta até porque nada nos diz que a dor física só é real se resultar de uma lesão estrutural.


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É redutor focarmos-nos apenas no diagnóstico que nos foi atribuído aceitando que este não tem solução e não no porquê, de agora neste momento e nesta circunstância, estarmos a sentir aquela dor “teimosa” que não quer desaparecer. A dor é, para nós, benéfica, surge como resposta a uma situação considerada perigosa pelo nosso sistema nervoso. Este opta por utilizar a dor como uma chamada de atenção de como algo não está bem. Contudo, por vezes, sem haver lesão estrutural surge a dor persistente de carácter não protetivo, em que o cérebro produz dor para nos proteger, mas não existe lesão estrutural. Considerada dor num contexto da neuro-ciência, é produto dos nossos pensamentos, do nosso raciocínio, das nossas pessoas, da nossa cultura, das nossas experiências e por aí adiante.


Reflicto bastante sobre isto e cada vez mais acredito que está tudo na forma como valorizamos e percepcionamos as situações. Está tudo onde optamos por nos focar. A dor persistente faz com que a pessoa se desvie do seu foco: a dor passa a estar no centro de tudo, assume um papel primordial na vida da pessoa, privando-a de si própria e, consequentemente, daquilo que lhe é mais natural – o movimento. Enquanto o temos disponível não o valorizamos e assim que estamos na iminência de o perder, sentimos não ter, sequer, ferramentas para lidar com a situação. Surge então o sentimento de perda que é algo tão caótico e tão difícil de interpretar e aceitar pelo ser humano.


Por isso é que é tão difícil modificarmos o nosso comportamento sem que o nosso corpo tenha