Introdução alimentar convencional VS Baby Lead Weaning

Atualizado: 9 de ago.

Entre os 4 e os 6 meses de idade, começam a ser introduzidos os alimentos na vida diária do bebé. É recomendado iniciar aos 4 meses para as crianças que se encontram a fazer leite adaptado e aos 6 meses nas crianças alimentadas por leite materno. Nesta fase, muitas vezes os pais têm várias questões e, perante este novo desafio, nem sempre sabem como iniciar a introdução alimentar.


Neste artigo vamos falar de duas formas de realizar esta fase da vida do bebé: de forma mais convencional ou pelo baby lead weaning.


Existem três métodos principais de introdução da alimentação complementar: o método convecional, baby led weaning ou a introdução mista. Apesar da crescente popularidade nos últimos anos do BLW e da forte adesão a este método por parte dos pais, ainda não existe evidência científica que defenda oficialmente qual o método mais apropriado para a introdução dos alimentos. A escolha de como iniciar e realizar este processo depende única e exclusivamente da decisão parental e do que consideram mais apropriado, confortável e o que os deixa mais confiantes. Importa também que a escolha seja a mais adequada para integrar a rotina da família.

Parece, no entanto, haver uma preocupação comum que é a introdução de texturas macias como purés, em vez de sopas e caldos bastante líquidos.

Deste modo, independentemente de qual a escolha de método de introdução alimentar, é importante considerar que é essencial dar textura à comida oferecida ao bebé, de modo a que seja incentivada a mastigação e autonomia o ato da refeição.

Outro ponto em comum entre os vários métodos de introdução alimentar é que é fundamental aproveitar a janela crítica da mastigação que vai até aos 9 meses de idade, altura em que se devem dar diferentes alimentos e diferentes texturas para treinar o ato de mastigar e oferecer diferentes sabores.


Neste artigo vamos falar de alguns aspetos positivos e negativos, tanto do método mais convencional como do BLW.



Método Convencional


Ao contrário do que se possa pensar, a introdução de alimentos através de sopas e papas, onde o bebé é alimentado por outra pessoa, não está associada a um menor risco de engasgamento. Um aspeto positivo para quem opta pelo método convencional é o facto de criar menos sujidade, uma vez que quem está em controlo são os cuidadores. Outro aspeto considerado por algumas pessoas como positivo é o facto de as refeições serem mais céleres, uma vez que alimentar um bebé é muito mais rápido que deixá-lo comer sozinho.

Um terceiro aspeto que pode ser positivo na rotina das famílias, é que este método poupa algum tempo na preparação de refeições, uma vez que normalmente confecionar sopas e papas é mais rápido e eficiente de preparar e pode ser feita em grande quantidades para congelar.

Existe evidência que aponta que a alimentação através deste método possa oferecer um maior aporte nutricional, havendo menos carência de alguns nutrientes quando colocados vários alimentos em sopas/papas.

De caráter menos positivo podemos indicar que através deste método pode haver um impacto na auto regulação do apetite, uma vez que facilmente se sobre-alimenta um bebé com sopas e papas. Existe uma menor tendência em não observar e/ou entender sinais de saciedade e de alimentar o bebé mais do que ele necessita.

O método convencional vai ter repercussões ao nível do desenvolvimento oral, se o bebé for alimentado por muito tempo apenas com sopas e papas. O prolongamento deste método pode tornar desafiante a aceitação de alimentos sólidos, assim como resultar em problemas da fala mais tarde, por falta de treino de mastigação no devido tempo.

Quando o bebé é somente exposto às mesmas texturas e aos alimentos misturados, não vai ter conhecimento dos diferentes sabores e aspetos dos alimentos de forma individual. Isto pode resultar em comportamentos seletivos e dificuldade em comer de forma mais diversificada numa fase mais posterior.

Toda a experiência do ato de comer é menos rica ao nível sensorial e de desenvolvimento motor, uma vez que não se encontra perante texturas e cores diferentes. O bebé tem uma maior dificuldade em explorar com as mãos, olhos, nariz e boca, principalmente numa idade em que se iniciam os processos motores mais finos, como o movimento em pinça.

Por fim, outro aspeto negativo relacionado com o método convencional trata-se da introdução alimentar antes do tempo correto, uma vez que como o bebé consegue ingerir alimentos triturados, mesmo antes de apresentar sinais de prontidão, ainda é muitas vezes indicado começar sopas e papas entre os 4 e 6 meses em bebés alimentados com leite materno, sendo a recomendação mais atual que este seja oferecido de forma exclusiva até aos 6 meses.



Método BLW

Ao contrário do que muitos possam pensar, o método de BLW não consta apenas em oferecer alimentos em pedaços ao bebé. Este método tem por base a partilha das refeições e desse tempo com o bebé – ao mesmo tempo, na mesma mesa a partilhar a mesma comida. Neste método o bebé tem um papel ativo na sua própria alimentação.

Deste modo toda a experiência do ato de comer é bastante rica a nível sensorial e motor, uma vez que o bebé mexe, pega e leva à boca os diferentes alimentos de forma mais autónoma. O bebé consegue explorar alimentos de diferentes texturas, cores e aparência, tornando-o menos seletivo a nível alimentar numa fase mais posterior. Vai haver um maior desenvolvimento oro-facial, uma vez que a mastigação começa a ser praticada desde o primeiro dia, assim como uma maior independência.

O bebé tem controlo sobre o que comer, tanto a nível de quantidade como dos alimentos que escolhe do prato, sendo mais fácil que exista uma auto regulação do apetite. Quando o bebé come de forma mais autónoma, é mais fácil identificar sinais de saciedade.

Por fim, quando aplicado o método BLW, está inerente um conceito de partilha deste momento em família, em que o bebé faz parte do momento das refeições e sempre que possível come dos mesmos alimentos confecionados (ainda que com uma especial atenção à ausência de condimentos, açúcar e outros nutrientes).

Inevitavelmente, os bebés ao alimentarem-se sozinhos, existe uma maior probabilidade de ficar tanto o ambiente em redor e o próprio bebé bastante sujos, o que pode deixar alguns pais mais ansiosos. Perante o método convencional, no BLW vai haver um maior desperdício alimentar, seja pela comida que cai ao chão ou que fica no prato.

Estudos científicos apontam que no BLW pode haver um déficit nutricional, principalmente de ferro e de zinco, tornando-se esta a maior preocupação clínica.


É crucial que para iniciar o método BLW o bebé:

- esteja numa fase em que mantenha a postura da cervical;

- se sente adequadamente e com mínimo de apoio na cadeira de alimentação;

- mostre sinais de interesse na comida em redor (por exemplo abrir a boca ou tentar agarrar comida quando vê os pais a comer);

- esteja bem acordado e não apresente sinais de sono ou cansaço;

- tenha alguma coordenação olhos-mão-boca, ou seja o bebé consegue ver um objeto (ex: brinquedo), agarra-o com a mão e leva posteriormente à boca;

- apresente um reflexo de protrusão da língua diminuído.


Este reflexo ajuda bastante na amamentação porém pode dificultar na introdução de alimentos mais sólidos, uma vez que a tendência será de os empurrar para fora da boca com a língua. Este reflexo tende sempre a diminuir com o passar dos meses desde o nascimento, e trata-se da colocação espontânea da língua para fora de forma a explorar algo com a boca.


O reflexo de gag que acontece naturalmente em todos os bebés para proteção da via aérea (qualquer que seja o método escolhido) pode deixar os pais bastante desconfortáveis e assustados, uma vez que acontece com mais frequência e mais cedo a quem utiliza o método do BLW.


Relembramos que este artigo não tem como objetivo definir qual o melhor método no que concerne à introdução alimentar complementar, mas sim um comparação e apresentação das vantagens e desvantagens de ambos. A escolha de como fazer cabe inteiramente aos pais e deve ser considerado outros fatores como o contexto familiar e as rotinas da mesma.

Além disso, esta decisão não tem de ser estanque e intemporal.

O bebé pode iniciar com sopas e papas e ir começando também a alimentar-se com alimentos mais sólidos e com o corte adequado.

Artigo revisto por: Dr. Miguel FC


Fontes:

Brown, A., Jones, S.W. & Rowan, H. Baby-Led Weaning: The Evidence to Date. Curr Nutr Rep 6, 148–156 (2017). https://doi.org/10.1007/s13668-017-0201-2

OMS – Guide to Complementary Feeding








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