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Música para os nossos ouvidos, música que nos faz bem



Quando começamos a ouvir música, as ondas que são emitidas ressoam nos nossos tímpanos, criando movimento. Esse movimento traduz-se por uma cadeia de sinais eletroquímicos que atingem o córtex auditivo e, a partir daí o som é analisado em relação ao tom, ritmo, volume, timbre, harmonia, localização espacial e ressonância.


De uma forma geral, é como se todas as áreas do cérebro conversassem entre si.

Desde há muitos anos que a humanidade sabe que a música traz benefícios à nossa saúde. Platão, um grande filósofo grego dizia “A música é o grande remédio da alma” e Aristóteles notou que as emoções e estado de espírito das pessoas era alterado com a música, tal e qual funciona um remédio. Contudo, foi só no final da primeira metade do século xx que os efeitos da música na saúde começaram a ser levados mais a sério. No final da II Guerra Mundial os músicos foram chamados a diversos hospitais para ajudarem na recuperação das vítimas da guerra. A partir de 1944, os Estados Unidos decidiram aceitar a música como uma forma de terapia e formar profissionais de saúde nesta área, tornando-se pioneiros.

Nos últimos anos, com a evolução da ciência, também evoluiu o estudo da música e das suas consequências na nossa saúde. “Depois de revermos inúmeros estudos realizados acerca da influência da música na saúde humana, encontraram-se provas convincentes de que as intervenções musicais podem ter um importante papel na saúde”, refere, o neurocientista e músico Daniel Levitin, autor do livro Uma Paixão Humana: o seu Cérebro e a Música (This is Your Brain on Music). O autor, além de ser cientista e investigador na Universidade de McGill, no Canadá, Daniel Levitin é também músico e um dos maiores especialistas mundiais nesta questão. Na sua obra faz alusão aos mecanismos neuro químicos da música com efeitos em quatro áreas da vida humana: temperamento, stresse, imunidade e interações sociais. Este é um dos primeiros livros a debruçar-se inteiramente sobre o modo como experienciamos a música e o papel que desempenha nas nossas vidas, sempre de um ponto de vista científico. Levitin demonstrou que estamos mais musicalmente equipados do que pensamos, pois os nossos cérebros estão naturalmente dotados para a música e esta é, talvez, tão fundamental para espécie humana como a própria linguagem.

Escute, dance e cuide de si

Armando Sena, neurologista, professor na Universidade Nova de Lisboa e autor da obra Cérebro, Saúde e Sociedade, é um entusiasta deste tema. Armando refere que,“as alterações decorrentes da música são sobretudo a nível hormonal e de marcadores inflamatórios que se relacionam com o stresse, que alteram o sistema nervoso simpático e parassimpático. Estudos têm demonstrado que a música pode diminuir esses marcadores, já que favorece a resistência ao stresse. O funcionamento do cérebro, por si só, influencia um aumento ou uma diminuição desses marcadores”, explica. Podemos pensar quando nos focamos e nos deixamos perder na música e/ou dançamos ao som da mesma. Mesmo que apenas por instantes, o nosso cérebro conecta-se com o ritmo levando-nos, sem nos apercebermos, a recorrer a uma forma de meditação, porque desligamos de tudo o resto. Se dançarmos ao ritmo da música, a conexão pode ser ainda maior e ainda fazemos exercício físico. Tudo isto ajuda a reduzir o stresse e ansiedade, o que pode ajudar a prevenir a depressão e diminuir a pressão arterial, ajudando a prevenir vários problemas de saúde ligados a este tipo de problemas.

A música pode ajudar ainda a controlar e a reduzir os níveis de dor. Uma investigação realizada em Espanha, por investigadores das universidades de Almeria, de Granada e da Andaluzia, observou 60 doentes com fibromialgia, uma patologia crónica caracterizada por intensas dores musculares. Os participantes foram divididos em dois grupos: durante quatro semanas, 30 pessoas estiveram expostas a uma hora de música diária, ao contrário das restantes 30. Concluiu-se que, avaliando a dor dos doentes através de uma escala devidamente certificada, o grupo de intervenção que ouviu música teve dores menos intensas. Também em Taipé, Taiwan, um grupo de investigadores desenvolveu uma experiência com doentes recém-operados à coluna vertebral e concluiu que a música tinha efeitos positivos na redução da dor no pós-operatório.