Métodos Naturais para Estimular o Parto



Por norma, a partir das 40 semanas de gestação (senão antes) as gestantes começam a ficar desconfortáveis, impacientes e possivelmente ansiosas por se encontrarem na reta final da gravidez, antecipando a fase que vem aí. Porém, cada gravidez é única e pode demorar mais ou menos tempo até o trabalho de parto efetivamente se iniciar, podendo muitas vezes este compasso de espera se prolongar até às 41 semanas (período em que o bebé é considerado de grande termo).


A partir das 39 semanas, e salvo situações em que tenha ocorrido alguma complicação médica durante a gestação e/ou haja uma contraindicação médica, as gestantes podem recorrer a alguns métodos e estratégias naturais que poderão acelerar o processo de indução natural do trabalho de parto, mesmo antes de ter de ir para o hospital!


Este artigo refere algumas das estratégias naturais e/ou desmistificações, que pode realizar em casa nos dias que antecedem o trabalho de parto, sempre que a gestante se sentir confortável e predisposta para tal, não sendo estas de caráter obrigatório ou essencial para experienciar um trabalho de parto saudável e feliz.


1. Relações Sexuais


De facto, ter relações sexuais ao longo da gravidez é um tema que tende a ser mais considerado, sendo cada vez mais natural e tem vários benefícios tanto para o casal como para a gestante.

O casal deverá manter estes momentos de intimidade sempre que ambos consentirem, salvo exceções em que existe indicação médica para proceder a abstinência (ex: algumas situações de gravidez de alto risco em que é mandatário descanso total).

No final da gravidez - e se ambas as pessoas se sentirem confortáveis - aumentar a regularidade da atividade sexual pode ajudar a induzir o trabalho de parto, uma vez que o esperma contém prostaglandina. Esta hormona amolece o colo do útero da gestante, cujo efeito pretendido apenas acontece quando este se encontra maturado e numa fase tardia (não acarretando qualquer risco em fases anteriores na gravidez) e o orgasmo provoca a libertação de oxitocina - hormona que estimula as contrações uterinas.

Não tenha receio, ter relações sexuais na gravidez até pode provocar alguma estranheza e desconforto pelo facto de existir alguém a crescer na barriga, mas este encontra-se devidamente protegido e salvaguardado desta atividade.

2. Comidas quentes


Apesar de não existir evidência científica para este método, pode dizer-se que a comida quente e/ou picante tem um efeito laxante, o que pode levar ao estímulo do útero e dos intestinos.

No entanto, se a gestante não apreciar comida picante, concretamente, é melhor não iniciar durante a gravidez porque pode ter efeitos indesejáveis como azia ou hemorroidas na gravidez.

Exemplo de alguns alimentos considerados “quentes” são o gengibre e a canela, e apesar de não haver base científica, estes são alimentos termogénicos, ou seja, aceleram o metabolismo e aumentam a imunidade.


3. Estimulação dos mamilos


Tal como as relações sexuais, a estimulação dos mamilos, à semelhança do que ocorre quando existe um orgasmo, ajuda a libertar oxitocina, que pode ajudar a induzir as contrações uterinas. A gestante pode usar a palma da mão para estimular o mamilo e a auréola ao mesmo tempo, com movimentos circulares. Esta prática para ter algum efeito deve ser feita de forma intensa e regular.


4. Comer tâmaras


Uma pesquisa da Universidade de Ciência e Tecnologia da Jordânia comprovou que o consumo desta fruta pode ser excelente para as gestantes no que concerne a métodos naturais para indução do trabalho de parto. Nesse estudo, a amostra foi dividida em dois grupos: grupo 1 que consumiu seis tâmaras por dia, a partir das 38 semanas; e grupo 2 que não consumiu nada. Demonstrou-se que as gestantes do primeiro grupo apresentavam um maior índice de dilatação quando recorriam ao hospital, do que as gestantes do segundo grupo. Outra conclusão desse estudo foi que, em ambiente hospitalar, uma maior percentagem de mulheres necessitou de recorrer ao uso de terapêutica medicamentosa para indução de parto no grupo que não consumiu este fruto, quando comparado com o grupo que ingeriu.


5. Comer Ananás


O ananás contém a enzima bromelina que estimula a produção de prostaglandina. No entanto, para que funcione, diz-se ser necessário comer em grandes quantidades.

6. Fazer caminhadas


Estar ativa e fazer caminhadas ajudam o bebé a descer e a posicionar-se para nascer. O exercício físico é fundamental em todas as fases da vida, incluindo na gravidez. Para além de aumentar os níveis de energia da gestante através da libertação de endorfinas no organismo, prepara os músculos pélvicos para o esforço do parto, melhorando a elasticidade. No final da gestação é particularmente importante por este motivo. É recorrente e aconselhado (salvo indicações médicas contrárias) que no final da gestação se façam caminhadas várias vezes ao dia. A movimentação faz com que a cabeça do bebé pressione o colo uterino, o que ajuda no encaixe da cabeça, no afinamento do colo e na descida da criança


7. Aromaterapia, Massagens Terapêuticas e Acupuntura - Terapias Complementares na ajuda ao bem-estar da grávida.


A literatura específica na temática da Medicina Tradicional Chinesa refere, estas e outras técnicas, como úteis na estimulação de contrações uterinas vigoras e eficazes.

Para além disso, proporcionam níveis elevados de bem-estar e relaxamento durante a gravidez e ajudam a diminuir a tensão psicológica e física, se possível, no momento do parto.


Atenção: Todas estas sete estratégias devem ser consideradas de forma personalizada para cada situação e adequadas a cada pessoa.


Deve procurar acompanhamento de um profissional especialista em saúde materna, que possa estar mais presente nesta fase final, para que tanto as dúvidas como os receios possam ser mitigados, de forma a tornar esta fase o mais prazerosa e satisfatória possível.

Educação na saúde é crucial nesta fase de vida.


Deve haver sempre, SEMPRE, uma consideração da componente clínica, nomeadamente se existe alguma condição médica que possa ser contraindicada para qualquer uma destas estratégias.


Be healthy! 🙌💙

Artigo escrito por: Enfª Inês Félix

Artigo revisto por: Dr. Miguel FC









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