Como funciona a vacina contra a COVID-19?



Descubra tudo o que precisa de saber sobre a Vacina da Pfizer-BioNtech

Arrancou dia 27 de dezembro a mega operação de vacinação contra a Covid-19 em Portugal, com a administração do primeiro lote de vacinas, com 9.750 doses da vacina desenvolvida pela colaboração da Pfizer com a BioNTech. Esta foi a primeira vacina a ser aprovada pela EMA (Agência Europeia do Medicamento), já estando sobre analise a Vacina da Norte-Americana Moderna.

A batalha contra a Covid-19 feita à escala mundial tem agora um novo aliado, uma espécie de poção magica que vai tornar as nossas próprias células do sistema imunitário na elite das equipas de intervenção.

A forma como a vacina atua no nosso organismo de forma a tornar-nos imunizados para a Covid-19 é bastante complexa, envolvendo conhecimentos de biologia, imunologia, nanotecnologia e estratégia militar. Aqui vamos abordar os aspetos principais da vacina, desde a sua complexa fórmula magica, até ao ponto de nos tornarmos imunes ao Corona vírus.

  1. A fórmula Pfizer-BioNtech

Começando pelo início, a vacina BNT162b2 da Pfizer-BioNTech é feita de umas partículas nanométricas — um milhão de vezes mais pequena que um milímetro. Estas nanopartículas são bolsas lipídicas, constituídas por material genético. Mais fácil é pensarmos nestas partículas como chocolates com recheio no meio. A parte de fora, mantem o recheio intacto e a salvo das enzimas do organismo. O recheio consiste numa pequena cadeia genética, uma molécula de RNA mensageiro, que contém a informação necessária para produzir a Proteína S do Corona Vírus. Esta proteína é responsável pela ligação das partículas virais do Covid-19 às nossas células, deixando-as infetadas.

  1. Como é armazenada a vacina?

Estas cápsulas, apesar de protegerem as moléculas da cadeia genética, não são indestrutíveis, sendo um dos seus pontos fracos a temperaturas elevadas. Quando expostas à temperatura ambiente (20⁰C) durante mais do que 5 dias, estas cápsulas não conseguem proteger efetivamente ao recheio, comprometendo a segurança e a eficácia. Por isso, a Pfizer e a BioNTech conceberam umas embalagens especiais — uns contentores que, se não forem abertos, mantêm a temperatura no interior a -70ºC durante 10 dias e que serão utilizados no transporte da vacina. Caso haja necessidade de guardar as vacinas durante mais tempo, então devem ser mantidas em equipamentos de arrefecimento especializados.

  1. Como é feita a administração da vacina?

Parece estranho pensarmos que nos vão administrar uma vacina tão gelada, certo? Na verdade, antes de serem administradas, os frascos são transferidos para frigoríficos normais, a uma temperatura entre 2ºC e 8ºC, para descongelarem; durante um máximo de cinco dias. Em alternativa, os frascos também podem ser colocados à temperatura ambiente, mas sem nunca ultrapassar os 25ºC, caso a vacina seja aplicada num prazo máximo de duas horas após a retirada dos contentores gelados.

Após estarem descongeladas, chega o momento de preparar a poção magica. Neste caso, o profissional de saúde, executa um protocolo complexo e meticuloso. Começa por inverter o frasco para cima e para baixo 10 vezes, sem agitar, formando uma solução de cor esbranquiçada, semelhante a um licor de anis.

Depois, com muita precisão, introduz no frasco original 1,8 mililitros de uma solução injetável de cloreto de sódio, através de uma agulha esterilizada de calibre 21 ou mais estreita, tirando de seguida o ar do interior do frasco. Para isso, basta puxar o êmbolo da seringa até que a rolha de retenção atinja a marca dos 1,8 mililitros.

Agora, é preciso misturar os ingredientes. Para isso, o frasco volta a ser invertido para cima e para baixo 10 vezes, mais uma vez sem agitar. Se a vacina diluída estiver transparente ou tiver partículas em suspensão, o frasco não deve ser administrado no paciente. Se continuar esbranquiçada e sem partículas visíveis, a moção magica está pronta. Depois é só rotular com a data e hora da preparação e pode ser administrada aos portugueses.

Apesar da preparação a dose administrada é de apenas 0,3 mililitros. A administração é feita com recurso a uma agulha e seringa esterilizadas e injetada no deltoide, o músculo na zona superior do braço, responsável por movimentá-lo em todos os sentidos e que cobre o ombro.

  1. A preparação para a batalha

Agora vamos entrar na parte mais parecida com a estratégia militar. Após a vacina ser administrada, aquelas cápsulas muito pequenas com o seu conteúdo poderoso vão preparar o nosso organismo para enfrentar o inimigo.

As nossas células são constituídas por uma membrana muito fina que protege o conteúdo celular do meio envolvente. Estas membranas são constituídas maioritariamente por lípidos. Esta característica permite criar grande afinidade entre as nossas células e as cápsulas da nossa vacina, por isso, quando as partículas da vacina se aproximam das células, elas fundem-se e o recheio, o mRNA, entra nas células.

Dentro nas nossas células existem uns pequenos organelos, chamados de ribossomas. Estes funcionam como uma espécie de linhas de montagem, ao serviço das nossas células, pegando no material genético das nossas células, o tão conhecido ADN, e convertendo toda a informação em proteínas. O recheio da nova vacina, tal como já referimos, é o material genético que codifica para a Proteína S do SARS-CoV-2. Este, apresenta uma estrutura muito semelhante ao nosso material genético, sendo por isso transformado em Proteína S nos nossos ribossomas. Estas proteínas virais vão depois seguir dois caminhos; ou migram até à membrana das nossas células e ficar expostas, ou cortadas em pedacinhos bem pequenos e ligar-se a umas moléculas chamadas HLA – antígeno leucocitário humano.

Em circulação na corrente sanguínea estão os glóbulos brancos, também conhecidos por leucócitos, células que funcionam como policias de elite que protegem o corpo humano dos invasores. Quando as moléculas HLA expõem proteínas que fazem parte do nosso organismo, os leucócitos reconhecem-nas e desencadeiam uma reação de guerra. E o sistema imunitário pega em todas as armas para reagir.

É assim que prepara o organismo para a batalha. Os sargentos, neste caso, são células como os neutrófilos, macrófagos e as células dendríticas, que protegem o corpo de invasores e engolem partículas da proteína S. Estes sargentos também produzem armas, particularmente uns químicos que funcionam como mediadores imunológicos — as citocinas. São elas as responsáveis pelos efeitos secundários reportados após a vacinação, como a dor no local da injeção ou a febre, por exemplo.

As citocinas são a arma mais poderosa no nosso organismo. Por um lado, vão ajudar os linfócitos B a produzir grandes quantidades de anticorpos contra as proteínas invasoras. Os anticorpos são outra categoria de armas, concebidos para terem uma grande afinidade com a proteína S, impedindo que o SARS-CoV-2 se ligue às nossas células e nos infetem. Por outro lado, vão ativar uma grande movimentação de linfócitos T, a força SWAT que vão identificar as células infetadas, destruindo-as travando o inimigo.

Esta estratégia militar do sistema imunitário ocorre nos primeiros dias após a administração da primeira dose da vacina. Contudo, este plano militar não é específico para a SARS-CoV-2, ou seja, não confere a imunidade celular. Isto acontece porque, a partir de certa altura, a quantidade de linfócitos B e de linfócitos T começa a diminuir progressivamente.

A solução é a segunda dose da vacina, que vai desenvolver uma verdadeira operação militar: a criação da imunidade celular. 21 dias depois da administração da primeira dose, o corpo recebe a segunda dose com o objetivo de estimular ainda mais a criação de uma resposta imunitária adquirida. A quantidade destas células volta a aumentar e elas tornam-se mais específicas, e mais eficientes, contra o SARS-CoV-2, permanecendo em campo de batalha durante muito tempo.

Estes passos desenvolvem a imunidade celular, que não depende de anticorpos, mas sim da presença de células que destroem outras células infetadas. É como se o exército não precisasse de utilizar um arsenal tão grande de armas porque lhe basta a experiência dos soldados no terreno — militares com formação específica contra o SARS-CoV-2. Os imunologistas chamam resposta adaptativa: as células podem reagir com outros invasores, mas têm uma grande capacidade de atacar o novo coronavírus em particular depois de contactarem pela primeira vez com ele.

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